Cool Podcast #02
Marcelinho CIC

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Entrevista Completa

Marcelo Cicchelli aka Marcelinho CIC, nasceu no Rio de Janeiro e hoje tem 25 anos. Com apenas 11 anos começou a se aventurar na carreira de DJ e atualmente é um dos destaques nacionais como DJ e produtor musical. Em 2007 teve seu nome incluído em diversos lançamentos pelo mercado internacional, produzindo e remixando diversos artistas. Alcançou a marca de 18 discos lançados em apenas 1 ano de carreira como produtor de Techno, um número realmente expressivo se tratando de um brasileiro.
Hoje seu som passeia pelo Deep House e vai até o mais “novo techno”, cadenciado e com o BPM mais baixo.
Marcelinho CIC é residente do principal club do Rio de Janeiro, Lounge 69 e se apresenta na Noite NEO todas as quintas-feiras.
Suas recentes faixas tem sido tocadas por diversos artistas e seu maior reconhecimento foi remixar a faixa “I FEEL FOR YOU” da cantora Chaca Khan. Esse remix foi executado por Carl Cox durante todo o verão de 2007, e ganhou espaço em diversas compilações.

Como e onde seu set foi gravado? Quais foram as inspirações?
Como queria fazer algo exclusivo para o Cool Podcast, optei por gravar em meu estúdio.
Passei 1 semana pensando no que apresentar para o público, algo que tivesse a minha cara atualmente. Tentei fazer algo que as pessoas pudessem ficar a vontade de ouvir em casa, no trabalho, no carro ou na caminhada. Não me preocupei em fazer um set mixado para mostrar minha técnica ou somente para agradar Djs, mas também pensando no público como um todo.
A vida tem sido muito generosa comigo e com minha carreira, me inspirei em cada momento que tenho vivido atualmente, principalmente nas vitórias que tenho alcançado no lado profissional.

Como tem sido 2009 para você?
2009 começou na minha cabeça como um ano de mudanças. Até hoje sou reconhecido fora do país pelo som mais pesado que produzia, mas hoje a coisa mudou um pouco.
Essa mudança chegou na hora certa para mim, pois acredito que a música é como uma borboleta, existem fases e mais fases. Me considero um artista com a mente aberta e amo boa música. Tento seguir uma linha coerente de som, incluindo tudo aquilo que gosto e desejo apresentar ao público. Deixar de tocar um som mais pesado não foi difícil para mim, pois sempre escutei e comprei de tudo um pouco, além de produzir diversas tracks de outras vertentes como co-produtor.
2009 veio para mostrar a minha versatilidade e apresentar um novo conceito dentro da minha carreira como DJ e Produtor. E acredito muito que o público vai gostar!

O que você está preparando para breve? Novos projetos em andamento? Em qual estilo musical você está apostando?
Muitas novidades surgirão neste segundo semestre. Esse ano comecei uma parceria com a Native Instruments (marca de softwares para produção musical) e tenho suporte do Traktor Pro, plataforma digital que me permite tocar com computadores, remixar ao vivo e criar tudo que tenho dentro da minha cabeça na hora da apresentação.
Existem negociações encaminhadas para lançar tracks em alguns selos de destaque no mercado mundial e, sem dúvida, aproveitar meu novo estúdio que era um grande sonho e consegui realizar do jeito que queria nesse ano.
Em 2009 será lançada uma faixa minha no DVD que contará toda a trajetória da vida de Carl Cox, com uma imensa turnê de divulgação em todo o mundo e também iniciarei o processo de criação do meu primeiro álbum.

Também tenho um projeto paralelo a minha carreira solo, chamado ASK2QUIT, onde conto com mais 2 parceiros: Leo Janeiro e o VJ Vagalume. É focado no som mais comercial, para o grande público e tem trazido para nós um grande feedback por parte das pessoas. Recentemente o projeto teve reconhecimento da DJ MAG Inglesa e do site Resident Advisor e isso nos surpreendeu bastante. Fizemos o projeto pensando em uma grande confraternização entre 3 amigos e tomou um rumo interessante. Atualmente temos datas marcadas por todo o Brasil e agora estamos trabalhando em nosso novo show para o segundo semestre.

Em relação ao estilo musical, acredito ainda mais que as vertentes se fundirão. Tenho curtido muito Deep House, Disco e algumas coisas que vem pintando como o  “novo techno” mais lento e grooveado.

Você já lançou diversos vinis no auge do techno. Como você encara essa revolução digital? Ela facilita ou dificulta a vida dos artistas?
Sinceramente, essa moeda tem 2 caras. O mercado digital leva o desconhecido a se tornar conhecido e o conhecido a se tornar mais um no meio de tantos outros. Você precisa realmente ter uma boa track para chamar atenção do grande público e conseguir muitos downloads. Existem pessoas que se importam muito com o fato de ter grandes números de downloads, até mesmo usando fórmulas para fazer a música entrar no TOP 10 dos sites através de promoções irracionais na internet como uso do seu cartão de crédito para comprar sua própria música, 50, 60  e até 100 vezes ou mais! Sinceramente esse tipo de atitude não faz parte da minha índole. Faço um trabalho para mostrar ao público meus novos lançamentos, mas bem longe de fazer o que muitos tem feito atualmente para ganhar status.
Quando lançava em vinil, esperava até 1 mês pela resposta de um label e hoje em dia qualquer um pode ter um label e sair lançando um bando de coisas.

Você tem algumas dicas de DJs que estejam surgindo ou produtores que deveríamos conhecer?
Eu tenho curtido muito as faixas do Gorge, Will Saul, Lívio & Roby, Luciano, Milton Jackson e do brasileiro Wehbba. Tenho pesquisado constantemente novas sonoridades para tocar e produzir e o artista que mais tem me chamado atenção nesse sentido é o Stimming, pelos beats que ele faz e por recentemente divulgar que anda com um gravador no bolso para captar sons urbanos para incluir em suas tracks. Isso é fantástico e orgânico.

O que mais te motiva dentro deste mercado tal competitivo?
Saber que posso ser diferente. Todo mercado é competitivo, basta você saber que o “diferente nunca acaba e nunca é igual”.
Uma competição saudável faz bem para o mercado.

O que você tem utilizado para produzir suas novas músicas? Alguma dica?
Tenho utilizado o software Logic 8 com algumas centenas de plugins que me permitem chegar onde quero. Conto com a ajuda de alguns hardwares e synths que fazem o processo ficar mais gostoso e dinâmico, mas também uso muita coisa virtual. E claro, os amigos que sempre são bem chegados com novidades. Nunca dá para saber de tudo!
Acredito que uma boa mixagem é o principal para o resultado final da sua produção. Sou formado em engenharia de áudio e tive a oportunidade de fazer alguns outros cursos. Caso tenham curiosidade de se aprofundar no negócio, seguem algumas dicas: SAE Institute, IATEC e IAV.
Não poderia esquecer da grande parcela de ajuda que o produtor Dudu Marote aka PRZTZ tem dado a novos e velhos produtores em seu blog “prztz”, então visite quando tiver um tempo, pois sempre tem assuntos interessantes.

E para finalizar, você sendo um dos destaques da cena do Rio de Janeiro, o que nos diz sobre a música eletrônica na Cidade Maravilhosa?
Tenho adorado os últimos anos do Rio de Janeiro. Conseguimos ter uma evolução bem significativa com muitas festas boas. Os festivais tem atraído um grande público, além de alguns super clubs estarem abrindo brevemente no Rio de Janeiro.
No Brasil, sempre sou questionado sobre minha carreira internacional e muitas pessoas me perguntam quando vou para Europa e dizem que fora do Brasil eu teria mais êxito com o meu som. Mas a resposta para elas é sempre a mesma: adoro a Europa, tive a chance de ir para tocar algumas vezes, mas meu país é aqui.
Não tenho tesão de ir morar lá fora e de fazer uma turnê de 2 meses. Prefiro continuar sendo um convidado gringo para eles, do que virar um residente europeu. No Brasil, o público e principalmente os contratantes esquecem muito rápido dos nossos nomes. Tenho visto muitos Djs com grande ascensão lá fora e, quando retornam ao Brasil, suas agendas não condizem com o seu trabalho, ou seja, quase não tocam.
Adoro tocar no Brasil, principalmente em minha cidade natal. A recepção do público melhora a cada ano no Rio de Janeiro, assim como os eventos.

1 Comentário

Muitoooo bacana!!!!

Dany Pach escreveu em 07/07/2009 at 9:50 am

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